Enfrentando finalmente o último desafio, 45km na travessia Cunha – Paraty pela Serra da Bocaina.
Fomos encarar a tão sonhada decida, mas o que vimos foi muito morro pela frente.

paraty_dia_5 (53 photos)
24 abril 2006

  
Páginas do álbum: 1 2 3

  
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Nota: Para ver as fotos no álbum original do Picasa, clique: http://picasaweb.google.com/educarrega/Paraty_dia_5

Acordamos cedo, 6 da manhã, num frio serrano característico, todo mundo moído, pernas doendo, bundas assadas, mas com ânimo de sobra para a última etapa. Mas os donos da Pousada deram uma escorregada, e não liberaram tão cedo nosso café da manhã, como era previsto, fomos comer somente as 7:30h.

Saímos as 8h em ponto, com os sinos da Matriz tocando, e nos dirigimos para o outro extremo da cidade, saída para Paraty, e somente dentro da cidade, subimos mais de 5km, íngrimes, tortuosos, de tirar o fôlego, e detonando mais ainda os músculos já fadigados pelo dia anterior de 180km.

Ao chegarmos ao topo, tivemos uma surpresa, mais morro!
Não dava pra acreditar, mas a falada decida Cunha Paraty estava a mais de 35km morro acima, o paredão continental da Serra do Mar bem no horizonte, à frente de nós toda a Serra da Bocaina, com “morrinhos” de 5km cada, sucessivamente, e à nossas costas, avistávamos ainda a Serra da Mantiqueira, e seus Picos de mais de 2000 metros de altura.

Restou-nos um recondicionamento psicológico para enfrentar a barra, e fomos em frente.

Por volta das 10 da manhã, chegamos à base da última e a maior das subidas, lá encontramos um boteco estrategicamente posicionado, tomamos um Gatorade, revigoramos os músculos e começamos a enfrentar a ladeira, que tinha mais de 7km contínuos.

Entre curvas e visuais, uma bela cachoeira cortava a estrada, um fantástico ponto de parada e restauração do físico. Continuamos seguindo até o pico, onde situa-se a placa de divisa do estado de São Paulo com o Rio de Janeiro.

Um a um fomos encostando e tirando aquela foto de posteridade na placa, afinal, aquilo, feito dessa forma, não era para qualquer um.

Deste local em diante, já Rio de Janeiro, inicía-se também o trecho de terra da tão sonhada decida, muita pedra solta, muito perigosa, curvas fechadas, nada fácil, e muito cansativa, mesmo se tratando de “morro abaixo”.

O visual era indescritível, mesmo apesar de não suportarmos mais ver morros e serra pela frente, a gente não se cansava de achar aquilo bonito, com direito a mais cachoeiras e visuais vertiginosos.

Depois de 7km, encontramos finalmente um asfalto de pista simples, mas muito bem cuidado, ai realmente sentimos que fomos recompensados, e poucas curvas após neste asfalto, encontramos um atelier, com o artesão em pleno momento de criação.

Aproveitamos alí a disposição do artesão, que nos deu um pouco de cultura, contando alguns fatos sobre sua profissão, enquanto moldava um vaso num instrumento giratório, que segundo ele, tinha mais de 5 mil anos. (e nós não conhecíamos… santa ignorância!)
Neste ponto, avistamos pela primeira vez o mar, a cidade de Paraty, foi emocionante demais.

Paraty estava ainda a 15km, mas de pura decisa naquele asfalto, que as bikes até apitavam em cada lance de curva, e pouco a pouco o clima de cima das nuvens foi sendo substituído pelo ar litorâneo, ficando mais quente, ameno, e duranto todo o trecho, centenas de pequenos alambiques que produzem a tradicional “Cachaça Real”, e muitos outros Ateliers e prancheiros, e assim foi até a entrada de Paraty pela Rio – Santos.

Chegamos em Paraty as 12:30h, com 575km rodados, e muita fome, pois nosso suprimento de barras e gel havia terminado no meio do trecho, e não deu outra, 500 metros dentro de Paraty, paramos num local que servia uma deliciosa Costela assada, acompanhada de tudo que podíamos imaginar por apenas R$ 10.00! Foi lambuja demais.

Saímos dalí as 13:30h, e fomos visitar o centro histórico de Paraty, com suas ruas calçadas de pedra, suas casas coloniais, muito bonito, mas nada prático de se empurrar uma bicicleta com 10Kg de carga, caminhando com nossas sapatilhas de solas de plástico sobre aquelas pedras umidecidas de limbo, foi a verdadeira “dança do ciclista”.

Fizemos muitas fotos, foi curioso passar em alguns locais em que o mar invadiu definitivamente a cidade, pois quando a cidade foi construída, ela estava ao nível do mar, e hoje, o mar subiu mais de 30cm, inuncando as áreas mais costeiras da cidade.

Estava tudo muito bom, mas tínhamos que ir embora, e nossa carona ainda não nos dava nenhum sinal, até que sacamos que o celular que usávamos era um VIVO, do estado de São Paulo, e que NÃO FUNCIONA FORA DE SP.

Caçamos um orelhão e com algumas ligações, combinamos com nossa carona, que estava em Ubatuba SP, de nos buscar na divisa do estado do Rio / SP, pela Rodovia Rio – Santos, 25km de onde estávamos.

E saímos, com mais 25km pela frente, e a possibilidade de inteirarmos os tão sonhados 600km.

Entre curvas e leves subidas e decidas, encontramos algumas cachoeiras, paramos numa chamada cachoeira Quilombo, água muito refrescante!, passamos pela entrada de Trindade…
Na última subida antes de chegar na divisa, uma difícil serra, e nossa carona vem de encontro, e faltavam pouco mais de 800 metros para fecharmos os 600km propostos para esta viagem.

Pedalamos até cumprir, mesmo com o carro à nossa disposição, cansados, enfraquecidos, fizemos questão de chegar até a orgulhosa marca de 600km.

Muito emocionante, abraços, nó na garganta, e a certeza de uma missão cumprida, nosso sonho chegava finalmente ao fim, 3 meses de planejamento, pesquisas, preparo, e muito trabalho para fazer esta aventura, pra lá de pioneira.

Sair de Botucatu SP e chegar em Paraty RJ, atravessando mais de meio estado de São Paulo pelo meio, por uma rota jamais tentada antes, em terrenos inóspitos, temperaturas e altitudes absurdas, em tão pouco tempo para fazê-la.

Agradecemos
Nossas famílias, que aguentaram a barra em casa e no trabalho por nós;
Aos amigos da Botica Oficinal, que nos ajudaram muito com a alimentação, fazendo custos mais acessíveis para os Papatrilhas nesta longa jornada;
A nosso amigo Brasinha (Brasabike.com.br), com suas dicas de mestre, peças de reposição e suporte;
Ao Jornal Diário da Serra, que lançou uma matéria sobre nossa viagem, nos trazendo muito prestígio para esta aventura;
Aos colegas que encontramos pelo trecho, nos dando as informações necessárias para não perder o rumo;
Aos colegas de Campinas, do Campinas Bike Clube, Rafael e Luciano, que foram nossos companheiros inseparáveis no pedal até Paraty, e sua experiência pela região de Campinas/Bragança;
Às pessoas que nos ajudaram em almoço, janta, pouso, dando aquele descontinho, afinal, dinheiro não cai do céu;
A todos que acompanharam e tiveram a paciência de ler nossos relatos diários;
A Deus, por permitir que retornássemos sãos e salvos às nossas famílias, e nossa rotina.

Botucatu, 25/04/2006 – 12h – Grupo Papatrilhas