Museu do Boiadeiro
MUSEU DO BOIADEIRO – Rubião Junior

Acolhedora entrada do Museu do Boiadeiro, em Rubião Jr., Botucatu (SP)
A História
Em meu trabalho de resgatar nossa história, a verdadeira história
de nosso país, procuro sempre visitar pessoas que se interessam
pelo assunto.
No início de fevereiro de 2004, em companhia de meu amigo e violeiro
dos bons, Ramiro Vióla, fui conhecer o Museu do Boiadeiro.
Este museu, criado por Moacir Fabiano, situa-se no distrito de
Rubião Junior, em Botucatu, São Paulo.
Oficializado pela Prefeitura de Botucatu em 2000, graças aos
esforços de muitos anos do Moacir, foram coletados centenas e
centenas de objetos que representam o universo de nosso povo
da zona rural,ou seja dos peões e boiadeiros da região.
Embora estes objetos estejam, em minha opinião, dispostos de
maneira precária no local em que se encontram, merecendo um espaço
adequado, com armários e peças etiquetadas, é fundamental uma visita
de todos os que viveram ou querem conhecer como viveram
nossos ascendentes.
Em sala anexa, temos a exposição de utensílios domésticos,
telefones, eletrolas, documentos e muitas coisas mais dos velhos
tempos e que são conservadas no museu.

Vista lateral do museu, mostrando em destaque um monjolo muito antigo.
Não sabe o que é um monjolo? Leia este delicioso texto do Prof. Rubem Alves.
Sobre monjolos e carros de boi

Placa da inauguração do Museu do Boiadeiro (2000)

Carro de boi feito de cabreuva, totalmente encavilhado em madeira, sem uso de parafusos metalicos. À frente, pilão antigo e uma guampa de chifre, conhecida como “azeiteiro”, pois em seu interior é colocado óleo de mamona, o qual é aplicado na cantadeira, com o pincel do azeiteiro.

Detalhe da roda, com os “gatos”, peças metálicas que reforçam a roda e a cavilha triangular que a prende ao eixo do carro.

Utensílios usados pelos boiadeiros de comitivas em suas viagens de transporte de gado. São tripés, grelhas, gamelas, bules, chaleiras, panelas, tachos, frigideiras, tudo em ferro ou cobre. Ao lado, os famosos ferros de passar à carvão.

Púlpito lavrado em madeira para homilias. Pertenceu a Igreja de Santo Antonio do Catigeró ou Igreja de Santo Antonio do Morro de Rubião.

“Cilhões” ou selas próprias para as donzelas, que ficavam sentadas de lado. Por isto, só tinham um estribo, do lado esquerdo.

Detalhe de uma sela própria para as donzelas, mostrando o estribo achinelado prateado, do lado esquerdo.

Alguns tipos de varas usadas pelos boiadeiros para tanger bois, como a “vara de ferrão” em cima, vara para tanger porcos, com uma espora circular na ponta, forcados, etc. Além das varas vemos algumas miniaturas de monjolos, estribos, lanternas e facões.

Detalhe de um ferrão, usado na vara para que o carreiro fizesse com que os bois o obedecessem.Tinha uma ponta afilada e argolas que tilintavam, avisando os bois que lá vinha uma espetada.Às vezes, bastava o som das argolas para que os bois cumprissem sua tarefa.

Roda de carro de boi com pequenos utensílios, entre eles, ferraduras, guampa,”formiga”, peça metálica em forma de alicate que era colocada no nariz para “amansar o boi”, ao lado, um gancho triplo em forma de anzol para tirar latas perdidas dentro de poços, etc.

Cargueiros, utilizados pela comitiva para transportar tudo aquilo que era necessário em uma viagem. Os cargueiros eram compostos pelas bruacas (cestos de couro cru) e transportados em lombo de burros. O arreiamento tinha sinetas de vários tipos, que eram tocadas e anunciavam a passagem da tropa. Quer conhecer mais sobre as famosas comitivas? Clique aqui ou Clique aqui

Peça de couro que é utilizada pelos boiadeiros para o transporte de sua capa de chuva (poncho).

O dobro é uma peça muito utilizada para transportar roupas e objetos dos peões da comitiva. Esta é feita de couro,
mas normalmente, é confeccionada de lona e pode ter enfeites ou correias de couro.

Peneiras e cestos variados e mais alguns ferros de marcar o gado.

Guampas, armas de fogo, estribos,balanças e até uma telha “francesa”, francesa mesmo…

Peça metálica utilizada para guardar pólvora para as cartucheiras e pica-paus. Na parte inferior existe um dosador que separa a pólvora na medida exata.

Faca dobrável com cabo de chifre de veado. Atrás, uma maleta de trabalho de uma parteira.

Lampeão metálico à querozene. Possuia uma mecha colocada no bico e que de acordo com a inclinação do recipiente, modificava o facho luminoso.

Balança metálica de escala vertical. Ao lado, um prendedor de papéis em forma de mão.

Peças variadas, como talheres, facões, arrolhador de madeira (ao centro), navalha, abridor de garrafas, etc.

Torrador de café, alimentado por carvão vegetal ou lenha.

Tralha para coar café nas comitivas: suporte, coador de pano e bule de metal.

Caixa de madeira, denominada “quarta”, com o volume de 12,5 litros e que era amplamente utilizada para a medição de cereais, como arroz, milho etc. A unidade de medida eram 50 litros, ou seja, quatro quartas, daí o nome da peça.

Cadeados de vários formatos.

Debulhador de milho metálico.

Um belíssimo berrante de comitiva que era soprado pelo “ponteiro”, integrante da comitiva que ia à frente, conduzindo o rebanho.
Quer conhecer mais sobre o berrante e seus vários toques? Clique aqui

Poltrona antiga, com revistas da década de 20. Em destaque, “O Cruzeiro”, de 1929.

Pia batismal centenária.

Santo Onofre, esculpido em madeira.

Gramofone antigo, tendo ao fundo um quadro com Angelino de Oliveira, insígne compositor botucatuense.

Orgão “Mannborg”. Em cima duas harmônicas e ao lado um móvel toca-discos, à manivela.

Detalhe do toca-discos, que tocava as famosas “bolachas” de 78 rpm.

Discos 78 rpm, da década de 1930. Alguns eram gravados só de um lado.

Máquinas de costura e um telefone de mesa à manivela.
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Tipo de óculos de aumento, usado em teatros e concertos pelas senhoras da sociedade. Seu nome em francês é “lorgnettes” e é aberto com um simples apertar de um pequeno botão. Usados entre 1875 e 1920.

Quadro de José Gomes Pinheiro Machado, fundador de Botucatu. (1784-1848)

Máquina de escrever “Olivetti”, mata-borrão, bolsa de couro para guardar fumo e até uma precursora da famosa “facit”, máquina de calcular muito usada na década de 50. À direita uma central telefônica muito antiga.

Fotos antigas de comitivas das quais participou o amigo Moacir.

Carro de boi com 6 parelhas de bois. Puxava uma carga de mais de uma tonelada.
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Telefone de manivela – décadas de 30 a 50

Máquina de escrever “Remington” sobre uma cadeira especial de fotógrafo. Esta possuía um apoio regulável para manter a nuca da pessoa fotografada imóvel.

Ao centro, uma lança de ponta metálica, chamada de “zagaia”. Utilizada pelos caboclos para matar onças.

Formas de madeira, próprias para a fabricação de queijos frescos.

Serra para cortar madeira,cuja lâmina era tensionada através de um encordoado na parte superior e que tinha uma trava também de madeira.

O criador do Museu do Boiadeiro, Moacir Fabiano, à esquerda, que tão bem nos recebeu e nosso amigo Ramiro Vióla, também um grande admirador do museu.
Os interessados em conhecer o Museu do Boiadeiro poderão contatar o Sr. Moacir e agendar uma visita através do telefone (014) 3813-8245, em Rubião Jr.


