PEABIRÚ: O CAMINHO PERDIDO NO TEMPO – Há evidências de um lendário caminho para o interior da América do Sul, sendo chamado pelos índios de “Caminho de Peabirú ou Peabiyú, e os jesuítas designavam como “Caminho de São Tomé”, que em tupi-guarani “Pe”(caminho) e “abirú”(gramado amassado) significam “caminho batido”.

Este caminho é citado pela primeira vez no livro “História da Conquista do Paraguai, rio Prata e Tucumán”, escrito por Pedro Lozano, padre jesuíta nascido em 1697. Outras referências importantes estruturadas em outras obras, são a “Revista Comentário” nº 49 (1971) do historiador Hernani Donato e o livro “Peabiru – Os Incas no Brasil”, de Luiz Galdino (1999). Em síntese, segundo as referências, o caminho possuía oito palmos de largura ou cerca de 1,3 metros, sendo o ponto de partida a região de São Vicente (SP), com indícios que vem beirando o litoral desde Porto dos Patos/SC e Cananéia/SP.

SÃO TOMÉ – Os índios afirmam que o caminho foi construído por Pay Sumé, mas os jesuítas não acreditavam que os pudessem ter feito e atribuíam o feito ao apóstolo São Tomé. Certamente o “Peabiru” fora a porta de entrada para à colonização portuguesa na direção do interior do estado de São Paulo até a sua proibição em 1533, por Tomé de Souza, inclusive impondo pena de morte aos infratores. Essa medida proibitiva só foi tomada para evitar o fácil acesso às colônias castelianas, pois este dava grande prejuízo à alfândega portuguesa. Através do contrabando, só para termos a idéia de como era relativamente fácil o “trânsito” por este caminho, o gado introduzido em 1502 na região de Cananéia, já estava presente em 1513 na corte dos Incas no Peru. Só em 1603, o caminho voltou a ser utilizado pelos índios guarani.

Mas qual seria o traçado deste estranho caminho pelo o interior do estado de São Paulo?
Provavelmente seguia-se ao longo do vale do rio Tietê até a região de Itu e Sorocaba e, seguia em direção sul do estado, dividindo-se em duas ramificações:
- uma à esquerda (ou Sul), por Araçoiaba, Itapetininga , Itapeva e estado do Paraná, onde há registros arqueológicos encontrados pelo Prof. Igor Chmys, da Univ. Federal do Paraná;
- a outra ramificação seria à direita, saindo de Sorocaba, passando por Bofete e pela Serra de Botucatu, seguindo à “Cuesta” e o rio Paranapanema, seguindo-se até o Paraguai e, supostamente ao Peru.
Uma curiosidade: próximo à Sorocaba, existem estranhas formações rochosas com o perfil de rosto humano bem definido, onde especulamos se teria algo a ver com o Peabirú.

FREI FIDÉLIS
Intimamente ligado às “Três pedras”, fez um curioso trabalho, que designou-as – em sumério – como Ex_tu, o “templo negro fálico”, onde supostamente as Pedras seriam a “sede” do culto negro liderado por Xumé, tido como um sacerdote sumério.

Para Fidélis, seria o local da reunião dos “cantores negros”, que seriam adoradores de satã ou sa_an (grande serpente), e de certa forma, seria a morada da serpente.

Segundo Fidélis, às redondezas de Botucatu era realizado o culto negro. Seus estudos à base do seu conhecimento sumério que, Bofete (Bofe_te) seria a “região dos cantores negros”; Avaré (Av_a_ré) seria o “templo de todos os cantores”; Itu (I_tu) seria os “filhos do templo”; Anhembi (An_hem_by) seria o “templo dedicado à serpente” e Tietê (Ti_e_te) seria o “rio que corre para o templo”. E até mesmo na palavra Sorocaba, Fidélis encontrou referência suméria, seria Sor_ok_ab_a, ou seja, “cantores da serpente destruíram o templo”. Isso tudo só para citar a riqueza e rumores existentes em torno das “Três Pedras”, que seriam visualmente os “pés” de uma formação montanhosa ainda maior, conhecida como “gigante deitado”.

A região de Botucatu, aproximadamente 250 km de São Paulo via Rod. Castello Branco,(latitude 22o 52’20” ao Sul, e longitude 48o 26’37” a oeste de Greenwich), além de ter sido um deserto num passado remoto, esconde ainda muitos mistérios que viraram lendas vindas do nosso passado histórico.


Texto escrito por:
* Paulo Aníbal G. Mesquita é biólogo, consultor para a Revista Sexto Sentido, membro do EXO-X e articulista de UFOVIA.
* Produção: Pepe Chaves.