No passado era a comunicação oral que garantia a transmissão das experiências, regras e mitos de uma sociedade à outra e, também, para as gerações seguintes. Hoje a mídia realiza esse intercâmbio simbólico entre os elementos de uma cultura, incorporando-os ao seu repertório e devolvendo-os à sociedade sob uma nova aparência, provocando alterações em seu conteúdo e atuando como agente de sutis mudanças culturais.

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Em relação ao mito, é possível notar sua presença em todas as partes do mundo, como uma tentativa de resolução de problemas, o mito é uma criação inconsciente que procura através de uma lógica própria, propor paliativos para situações conflitantes da sociedade humana. Através do fantástico, o mito faz parte de todas as culturas, e em cada
uma adquire feições próprias.

Mitos são universais, mas organizados de modo distinto de acordo com as culturas locais.
Na cidade de Dois Córregos – localizada na região central do estado de São Paulo – há mais de um século se tem notícias do mito do Unhudo da Pedra Branca, protagonizado por um cadáver ressecado, de unhas grandes e que usa chapéu de palha e roupas esfarrapadas cuja missão tem sido assombrar todos aqueles que ousem roubar frutas e
flores, guardando o território da mata da Pedra Branca. O corpo seco, entidade fantástica relativamente comum no folclore de outras regiões do país, denuncia a existência de um pecado sem perdão divino. O destino dessa ‘alma penada’ seria o de vagar, sem descanso, pelos lugares que esteve em vida (CASCUDO, 1988 e 2002). As referências sobre esse mito foram assim expressas por um pesquisador da região:

Outra lenda contada por Vó Armira, mas localizada por ela no bairro de Morro Alto, na margem esquerda do Tietê, falava de um homem de unhas enormes que morava em uma das cavernas da Pedra Branca, elevação próxima à divisa de Mineiros e Dois Córregos. Era chamado de O Unhudo da Pedra Branca e costumava atacar aqueles que entravam na floresta para colher jabuticabas silvestres. Certa vez, dizia Vó Armira, um rapaz foi apanhar jabuticabas e levou um tapa do Unhudo, indo acordar do outro lado do rio Tietê.

Na cultura popular o mito é descrito como um morto-vivo, um bicho, um corpo-seco, uma assombração. A força ainda presente do mito faz do Unhudo a assombração mais famosa de Dois Córregos. Um morto-vivo que desperta o medo de algumas pessoas da zona rural. Compreendendo a comunicação como processo social básico de troca simbólica, através dela os fenômenos sociais sobrevivem e se transformam no decorrer do tempo, assegurando a continuidade de uma cultura (MELO, 1998).

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Coração Caipira
O agricultor Bento Pinheiro jura que viu lobisomem. Figuras como o saci-pererê e o unhudo também são populares pelo interior.